domingo, 23 de julho de 2017

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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6-CORAGENS



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III-SEGUNDOS FATAIS
2- O NAUFRÁGIO
DO COURAÇADO
BISMARK

* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores. .

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5-CORAGENS



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XX -ERA UMA VEZ O ESPAÇO


1- OS HUMANOIDES


* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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4-CORAGENS



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José Souto


Tudo o que precisa saber

sobre Gordura, colesterol

e carboidratos





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3-CORAGENS



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CRISTINA CASALINHO

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Saia justa

Neste momento, os dados disponíveis nos EUA e Europa apontam para o sucesso da opção política adotada. A economia cresce a ritmos saudáveis, o mercado de trabalho revela pujança. Apenas a inflação desilude.

No auge da crise financeira, as autoridades monetárias nos EUA e área do euro, confrontadas com o mau funcionamento do mecanismo de transmissão da política monetária, decidiram adotar medidas não-convencionais; concretamente, programas de aquisição de ativos financeiros. Assim, os bancos centrais concretizaram o seu objetivo de redução das taxas de juros ao longo do espectro temporal e asseguraram a repassagem a toda a economia. Segundo o Banco Central Europeu (BCE), o alargamento do programa de compra de ativos a dívida de empresas justificou-se pela necessidade de baixar custos de financiamento imediatamente para as empresas com melhor qualidade creditícia, forçando o contágio às restantes classes de risco.

Neste momento, os dados disponíveis nos EUA e Europa apontam para o sucesso da opção política adotada. A economia cresce a ritmos saudáveis, o mercado de trabalho revela pujança. Apenas a inflação desilude. A recente subida de preços afigura-se temporária e as projeções apontam para revisões para baixo. Com base num enquadramento macroeconómico favorável, a Reserva Federal (Fed) interrompeu o programa de compras (2014) e iniciou o ciclo de subida de taxas diretoras (2015), discutindo agora os próximos passos, os quais poderão incluir a redução do balanço - ou seja, abandono do reinvestimento dos fundos associados aos reembolsos. Até agora, o movimento de normalização da política monetária nos EUA, muito embora tenha conduzido à expetável subida de taxas de juros ao longo das várias maturidades e redução da inclinação da curva de rendimentos, não provocou perturbação no mercado.

Na Europa, o processo de normalização da política monetária está mais atrasado (também foi inaugurado mais tarde). Por outro lado, a execução do programa defronta-se com desafios específicos de execução. O BCE autolimitou as compras por título ao máximo de um terço do saldo vivo. Em países com menos dívida transacionável ou reduzidas necessidades de financiamento, esta restrição já se tornou ativa. No caso português, o BCE parece ter encontrado um equilíbrio estável - realiza compras mensais que correspondem a cerca de um terço das emissões médias mensais. As autoridades monetárias inclinam-se para a manutenção do programa além de 2017, trilhando um caminho caracterizado pela minimização do fator surpresa. Por conseguinte, o abandono de medidas não-convencionais antecipa-se como progressivo e bem comunicado. Não obstante estas preocupações, o BCE confronta-se com desafios operacionais significativos no caminho da normalização. Com efeito, nos últimos dois meses emergiram sinais que o limite de compras terá começado a ser ativo na Alemanha. Doravante, o banco central poderá debater-se com escassez de títulos também no universo das maiores economias da área do euro, circunscrevendo a extensão do programa. Outro desafio relevante consiste em garantir suficiente gradualismo na subida de taxas, evitando uma apreciação fulgurante do euro, a qual poderá pôr em perigo a consolidação da recuperação económica. Convém igualmente não olvidar que o presente sentimento pró-reformista muito beneficia do sólido crescimento da economia, sendo imprevisíveis as consequências de um súbito arrefecimento económico nas propostas reformistas em discussão e implementação.

IN "JORNAL DE NEGÓCIOS"
20/07/17

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1300.UNIÃO



EUROPEIA




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2-CORAGENS



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6-A CIÊNCIA  EM FOCO
GRANDES QUESTÕES



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XXVII-VISITA GUIADA


Museu Militar

LISBOA - PORTUGAL


* Viagem extraordinária pelos tesouros da História de Portugal superiormente apresentados por Paula Moura Pinheiro.
Mais uma notável produção da RTP

* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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1-CORAGENS



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Hamamatsu International Wind Instruments Academy Festival Orchestra 2014

L'Arlésienne Suite No.2


Georges Bizet

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HOJE NO 
"A BOLA"
Futebol Feminino
Portugal bate (2-1) Escócia 
em triunfo histórico

A Seleção portuguesa de Futebol Feminino fez história e, em Roterdão, alcançou a primeira vitória de sempre num Campeonato Europeu. Diante da Escócia, Carolina Mendes (27`) e Ana Leite (72`)fizeram os dois golos da equipa de Francsico Neto. Cuthbert, avançada do Chelsea, ainda empatou (67`) mas a resposta portuguesa não tardou.
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Portugal volta a entrar em campo na próxima quinta-feira, para defrontar a Inglaterra ainda com o sonho do apuramento bem vivo. 

* Guerreiras lusitanas, parabéns.

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 AO GUIAR...


 MANTENHA OS OLHOS NA ESTRADA

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ESTA SEMANA NO 
"SOL"

Berlim bate o pé a Erdogan

Governo alemão perdeu a paciência com a deriva autoritária turca e anunciou reorientação política. Investimento e turismo devem diminuir, e os fundos cedidos pela União Europeia serão revistos.

Se for alemão e estiver a pensar em ir de férias para a Turquia, é melhor pensar duas vezes. O mesmo se aplica para o caso de querer viajar em negócios ou investir no país. Pelo menos este é o conselho do Governo de Angela Merkel. A detenção recente, sob suspeita de ligações terroristas, de um ativista de direitos humanos que se deslocou à Turquia para participar num workshop da Amnistia Internacional, levou Berlim a anunciar uma mudança brusca nas suas relações com o país de Recep Tayyip Erdogan e a intensificar os alertas sobre os riscos inerentes a uma deslocação à Turquia.
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Numa conferência de imprensa na passada quinta-feira, o Ministro dos Negócios Estrangeiros apresentou-se aos jornalistas com cara de poucos amigos e afirmou que a prisão do ativista Peter Steudtner – detido na mesma operação que colocou atrás das grades Idil Eser, a diretora da Amnistia Internacional na Turquia – provou que «qualquer um pode ser afetado por detenções arbitrárias» e ser acusado de terrorismo. Para além daquele, também Deniz Yücel, correspondente do Die Welt, se encontra preso desde fevereiro, pelos mesmos motivos, realidade que levou levou Sigmar Gabriel a aconselhar os cidadãos de nacionalidade alemã que estejam a pensar viajar para a Turquia a registarem-se nas listas de emergência dos consulados alemães no país, mesmo que por poucos dias.

Aos avisos do chefe da diplomacia alemã seguiram-se várias tomadas de posição de outros elementos do Governo de coligação CDU-SPD, proferidas com um sentido claro de condicionar o  fluxo de milhões de turistas alemães que todos os anos se desloca para a Turquia – e contribuem para 15% do total das receitas turísticas anuais do Estado turco. Em declarações reproduzidas pela Deutsche Welle, o Ministro da Justiça, Heiko Maas, defendeu que as pessoas devem refletir sobre o facto de passarem férias num país que «não é governado pelo Estado de Direito» e em entrevista ao Bild, o Ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, comparou a postura de Ancara com a dos dirigentes da Alemanha Oriental, na segunda metade do século passado. «Estas detenções arbitrárias recordam-me como as coisas se passavam na RDA [República Democrática Alemã]. As pessoas que viajavam para lá sabiam: ‘se alguma coisa acontecer, ninguém nos poderá ajudar’», conta Schäuble.

Reorientação do investimento
Se os alertas do executivo alemão, no que toca às viagens, prometem mexer com os números do turismo, a nova abordagem assumida no campo económico também poderá vir a alterar o investimento alemão na Turquia. Gabriel revelou que o Governo vai deixar de incentivar as empresas germânicas a investirem em solo turco, no âmbito da «reorientação» da sua abordagem política, concebida para que «os responsáveis em Ancara percebam que as suas políticas têm consequências». A justificação do ministro foi clara: «Não podemos recomendar ninguém a investir num país onde há exemplos de expropriações e onde empresas podem ser rotuladas como terroristas».

No que à economia diz respeito, há que contar ainda com eventuais cortes nas tranches de dinheiro transferidas regularmente pela União Europeia. A Alemanha quer reunir-se com os restantes Estados-membros e rever os valores dos fundos atribuídos a Ancara, definidos pelos acordos assinados no quadro de pré-adesão da Turquia à organização comunitária. «Queremos que a Turquia faça parte do Ocidente, mas são precisas duas pessoas para dançar o tango» explicou Sigmar Gabriel.

As detenções de Steudtner e de Yücel são, na realidade, um pequena gota na onda de repressão ordenada pelo Presidente Erdogan, na sequência da tentativa de golpe de Estado de julho do ano passado. Entre militares, polícias, juízes, opositores políticos, jornalistas, académicos, funcionários públicos e cidadãos comuns, calcula-se que já tenham sido detidas cerca de 50 mil pessoas e demitidas, suspensas ou afastadas outras 150 mil, no espaço de um ano. A grande maioria são suspeitas ou estão acusadas de conluio com líder religioso Fethullah Gulen – exilado nos EUA –, o homem que Ancara identifica como o orquestrador do assalto falhado ao poder.

Mas há mais, muitos mais turcos, a quem Erdogan assume querer estender o braço e julgar pelo envolvimento no golpe. Neste sentido, não faltam representantes políticos na Alemanha a apregoar que as ordens de prisão decretadas para Steudtner e Yücel não são mais do que uma estratégia propositada para pressionar Berlim a entregar à justiça turca os opositores – sobretudo ex-militares – de Erdogan, escondidos em solo alemão. O deputado ecologista alemão Cem Özdemir descreve mesmo o ativista e o jornalista como «reféns políticos» de Ancara.

A resposta turca ao fim da paciência alemã foi híbrida. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Çavusoglu, e o porta-voz de Erdogan, Ibrahim Kalin, qualificaram as «chantagens alemãs» de «inaceitáveis» e ontem Erdogan veio a terreiro para garantir, numa curta declaração, que «ninguém tem o poder de difamar a Turquia». Ao mesmo tempo, os dirigentes turcos pediram a Berlim para se «recompor», focar-se no futuro e não castigar o setor económico. Afinal, o volume de trocas comerciais entre Alemanha e Turquia situa-se bem perto dos 37 mil milhões de euros por ano.

«Não podemos aceitar tomadas de posição que possam distorcer o ambiente económico, baseadas em motivações políticas», disse Kalin aos jornalistas, recordando as «boas relações» existentes entre os dois Estados.

Tendo em conta a reação alemã, essas «boas relações» já terão visto melhores dias.

* Há meses que nas páginas deste blogue denunciamos Erdogan como um bandido da pior espécie, estranhamos tanta demora na reacção alemã, a única que manda na Europa. Se Angela Merkel nos visitasse seria mais acertiva, eh,eh,eh.
Destacamos também já algumas reacções da vice-presidente da CE, Federica Mogherini contra as posições de Erdogan sobre refugiados, controle do parlamento, da justiça e recém poderes de ditador.


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MERCADO ÉTICO
TRÁFICO DE ANFÍBIOS 
(ECUADOR)



FONTE: AFPBR

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ESTA SEMANA NO
  "EXPRESSO"
Apostas viciadas no futebol português

Há jogos que nunca existiram, clubes sequestrados 
e resultados forjados na bancada. As redes internacionais 
de manipulação de apostas alastram pelas divisões secundárias do futebol português. O relatório mais recente da Federbet, a publicar em setembro, lança suspeitas sobre mais cinco partidas — duas delas na Primeira Liga. Ninguém está a salvo. Nem se sabe como travar a ameaça
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Um orifício no muro do topo do Estádio da Tapadinha, em Lisboa, permite espreitar para o relvado daquele que já foi um dos recintos desportivos mais emblemáticos da capital. Mas o campo do Atlético Clube de Portugal, um clube histórico — dos 15 com mais participações na Primeira Liga —, exibe claros vestígios de decomposição: as paredes descascadas, ervas a nascer nas bancadas e painéis publicitários em derrocada. “É como se um vírus tivesse entrado pelo portão e consumido lentamente o corpo do clube”, diz José, um adepto que leva o filho aos treinos. Uma figura de estilo que não foge muito dos factos: em 2013, a antiga direção do Atlético, liderada por Almeida Antunes, vendeu 70% da SAD à Anping Football Club Limited, uma empresa sediada em Hong Kong e propriedade do chinês Mao Xiaodong (conhecido no Ocidente como Eric Mao), já indiciado pela UEFA por fortes suspeitas de corrupção na combinação de jogos para apostas. O preço: 175 mil euros, dos quais apenas 50 mil foram pagos. Desde então, o Atlético desceu duas divisões, desmembrou-se entre SAD e clube (tem duas equipas, uma da SAD e outra do clube), perdeu sócios, enterrou-se em dívidas e foi investigado por suspeitas de manipulação de resultados.

Na bancada, junto à secretaria, o presidente recém-eleito, Ricardo Delgado, de 38 anos, olha em redor na tentativa de encontrar uma solução para salvar a instituição. “O Atlético foi sequestrado tanto financeiramente, com várias contas por pagar, como desportivamente, porque o regulamento não permite que a equipa do clube [na 2ª divisão distrital] ultrapasse a da SAD [duas ligas acima, na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Lisboa]. Nós só queremos distância em relação aos investidores e restituir a honra ao clube”, diz. Uma distância que é facilmente comprovada na secretaria — os gestores da SAD foram expulsos do estádio, não há números de telefone e mesmo a correspondência, com muitas dívidas, é devolvida à procedência.

Em maio de 2016, Armando Hipólito, acabado de ser empossado como presidente, perdeu a paciência e fechou a cadeado as instalações da Tapadinha usadas por Xialong “Bruce” Ji e Xinxin “Nancy” Cao, os representantes de Eric Mao em Alcântara. “O ‘Bruce’ é um homem sem qualquer dignidade, sem escrúpulos”, acusa Hipólito. “Pressionava os treinadores para colocar em campo os jogadores que queria e chegou a forçar a entrada no balneário. Nas reuniões, olhava para o teto, desprezando completamente o que lhe dizíamos. Nunca deu um cêntimo para o aluguer das instalações e tinha à porta um carro alugado que nunca pagou. Tivemos de ligar à empresa para vir cá buscar a viatura.” Mao raramente foi visto pela Tapadinha. “Nancy” deixou de aparecer em novembro de 2015. “Bruce” Ji acabou por se tornar o único rosto asiático da SAD. Envolveu-se em muitos conflitos: acabou a primeira época aos empurrões com o treinador Jorge Simão, que viria a orientar o Sporting de Braga, e levou mesmo uma bastonada na cabeça de Fernando Piedade, à época vice-presidente do clube. “Mas fizeram as pazes e hoje são amigos”, diz um ex-dirigente. Hipólito afirma que o chinês nunca ostentou uma vida faustosa e que mandava vir pizzas quase todos os dias para o seu escritório.

“Não podemos pensar nestas pessoas como elementos da máfia clássica, bem vestidos, com bons carros e em restaurantes caros. Muitos destes tipos, e este deve ser mais um caso, são jogadores compulsivos, arrastados para redes internacionais de manipulação de resultados. Todo o dinheiro que ganham nos jogos que combinam acabam por gastá-lo em apostas normais”, diz o italiano Francesco Baranca, secretário-geral da Federbet, uma organização que monitoriza as apostas desportivas online e luta contra os jogos combinados.

Baranca foi dos primeiros a alertar para os perigos do investimento chinês no Atlético, mesmo antes de a UEFA, em 2014, ter enviado às autoridades desportivas portuguesas um documento secreto que denunciava os antecedentes de jogos arranjados por Eric Mao na Letónia e na Estónia e as suas prováveis ligações a Wilson Raj Perumal, um antigo cabecilha do Sindicato de Singapura — a mais prolífera organização de fraude em apostas desportivas —, que viciou largas centenas de partidas em todo o mundo. A carta acabou por ser revelada no Football Leaks. “Eric Mao é uma personagem suspeita com ligações próximas a jogos combinados. Ele é CEO da Anping Football Club Limited e dono do Beijing Glory FC e é também suspeito de manter negócios na Estónia e na Letónia”, escreveu o Sistema de Deteção de Fraude nas Apostas (BFDS).

“As organizações criminosas atuam a partir de diferentes zonas do globo, com destaque para a Ásia, onde estão sinalizados alguns dos principais rostos da criminalidade associada à viciação de resultados e onde são detetados os mais elevados volumes de apostas” diz Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF). “Estas organizações procuram intermediários nos países em que querem atuar, sejam agentes, dirigentes, árbitros ou jogadores. Pretendem construir parcerias e criar relações de confiança para garantir como resultado final a manipulação dentro de campo.” Segundo dirigentes do Atlético, a Anping de Mao chegou a Alcântara através do treinador Nelo Vingada, ex-jogador do clube, e do atleta guineense Almani Moreira, ex-Boavista e que viria a representar o Atlético entre 2013 e 2015, ambos com passagens pela China.

De acordo com o “Asian Times”, jornal de Hong Kong, Mao ajudou Vingada a recuperar dinheiro quando o clube que então treinava, o Dalian Shide, colapsou devido à prisão e posterior morte do seu proprietário, Xu Ming, em consequência de um escândalo político. Como contrapartida, o técnico introduziu o chinês à direção do Atlético e assumiu a presidência da nova SAD no seu primeiro mês de vida. Confrontado com a ligação na sua recente apresentação como selecionador da Malásia, Vingada comentou: “Eu não tenho relação com Mao [...]. O presidente do clube, e não Mao, perguntou-me se eu podia ajudar, devido à minha experiência na China. Eu aceitei porque tinha jogado no clube.” De qualquer das formas, ninguém, desde a direção do Atlético a Nelo Vingada, passando pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ou pela polícia, se apercebeu do potencial fraudulento do acordo.

“Existem diversos fatores que tornam as competições em Portugal vulneráveis à manipulação de resultados. Do lado dos clubes, as dificuldades financeiras, potenciadas por uma gestão irresponsável e pela dificuldade em obter financiamento por vias normais, facilitam o aparecimento de investidores que fazem depender os apoios concedidos ao envolvimento nestas práticas. Os clubes tornam-se reféns destas organizações criminosas. Do lado dos jogadores, quanto mais precária for a sua situação contratual, com salários em atraso, maior é a vulnerabilidade. Destacam-se ainda contextos de dependência, o vício no jogo e no álcool, por exemplo, que culminam no endividamento dos agentes desportivos”, explica Evangelista, que defende um maior rigor na identificação dos investidores estrangeiros.

“Defendemos que o regime jurídico das SAD deve merecer uma reflexão, por forma a tornar mais transparente a proveniência dos capitais e, consequentemente, a garantir um maior controlo e fiscalização.” Foi recentemente criada uma linha de denúncia anónima para jogadores aliciados para viciar resultados, gerida pelo SJPF e pela FPF, no âmbito do programa “Deixa-te de Joguinhos”.
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O guarda-redes 
letão Igors Labuts, 
sinalizado 17 vezes 
por viciação 

de resultados, 
foi das primeiras
 contratações 
do Atlético 
quando 
os chineses chegaram ao clube
Quando os sócios do Atlético se aperceberam do erro, era tarde demais. Ao plantel tinham chegado jogadores como o guarda-redes letão Igors Labuts, sinalizado 17 vezes por viciação de resultados, ou Ibrahim Kargbo, capitão da seleção da Serra Leoa, suspenso da equipa nacional pelo mesmo motivo. Uma longa investigação do jornal romeno “Gazeta Sporturilor” coloca ainda os futebolistas Silas, ex-internacional português, bem como o já referido Almani Moreira na lista de jogadores do Atlético indiciados pela BFDS. “Já na altura, havia coisas demasiado evidentes. O guarda-redes letão fartava-se de dar frangos”, diz Armando Hipólito. “Na derrota por 3-2 contra o Oriental, em que a Polícia Judiciária fez detenções no fim do encontro, deixou passar uma bola por baixo dos braços. E, já esta época, pareceu-me muito suspeita a derrota por 8-0 contra o Casa Pia.” No entanto, e apesar de as agências internacionais terem registados movimentos pouco usuais de apostas em alguns jogos do Atlético, nada foi provado. O Atlético ainda tentou em tribunal reaver os 70% que tinha vendido: perdeu, porque a direção esqueceu-se de formular o protocolo de colaboração indispensável para o negócio. Eric Mao e “Bruce” Ji continuaram no poder.

Com o passar do tempo, conseguiram angariar algum apoio. José Francisco, diretor comercial de uma empresa de brinquedos e pai de um antigo jogador do clube, aproximou-se da cúpula chinesa. “Passou a andar atrás do ‘Bruce’ para todo o lado, acompanhava-o nas reuniões, embora não tivesse qualquer cargo oficial na instituição”, diz um ex-dirigente. Essa convivência terá levado à constituição da Pré Season, Unipessoal, Lda., com Francisco como CEO, uma empresa sediada num 5º andar de um bairro residencial da Amadora, com atividade aberta para a organização de feiras, congressos e outros eventos familiares. No entanto, a principal ação da nova companhia foi o acordo com o Athlone Town, um clube da segunda divisão irlandesa, investigado por viciação de resultados e tido como mais uma peça da rede mafiosa comandada por Mao.

Francisco tem outra teoria: diz que a Pré Season não tem participação chinesa, que saiu do Athlone passados três meses devido a problemas entre os jogadores locais e os estrangeiros e que não só não foi contactado pelas autoridades como foi a sua empresa que chamou a polícia ao estádio da equipa. “A Pré Season estabeleceu um acordo de cooperação com o Athlone virado para as mais-valias dos atletas que lá colocámos.

Foi dada uma lista de jogadores, e eles escolheram os que queriam. Nunca tive nada a ver com apostas desportivas”, diz. Para o emblema britânico, transitaram antigas caras conhecidas de Alcântara: o treinador Ricardo Cravo, os jogadores José Viegas e Dery Hernández e, pasme-se, o guarda-redes letão Igors Labuts, que entretanto tinha ido fazer uma época à Letónia, no Spartaks Jurmala, também na lista de possíveis batoteiros, além do técnico português Ricardo Monsanto, que saiu numa fase prematura da época. “Não fui eu que coloquei o Igors no Athlone. O facto de ter jogado anteriormente no Atlético não passa de coincidência”, alega José Francisco. As autoridades irlandesas oficializaram no passado dia 7 de julho a acusação sobre quatro elementos do Athlone — três jogadores e um elemento da equipa técnica —, embora não sejam ainda conhecidas as suas identidades.
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Um jornal de Hong Kong envolveu o treinador português Nelo Vingada com Eric Mao, um dos principais cabecilhas 
do negócio mundial de apostas em jogos de futebol
Já “Bruce” Ji, continuava o seu processo de integração em Portugal. Residia na Ajuda e não lhe eram conhecidos muitos amigos. Exceto um: Omar Scafuro, o italiano de origem libanesa que, no final de 2013, tomou conta do Beira-Mar. “Ele falava muito dele e dizia que eram próximos”, testemunha Admar Hipólito, à época responsável pelo futebol da SAD do Atlético, que também saiu em conflito com os investidores asiáticos. Tal como Mao, Scafuro já era internacionalmente conhecido pelas suas burlas: em 1999, tentou comprar o Avelino, da série B italiana, alegando que tinha o apoio do AC Milan (provocando um famoso desmentido de Silvio Berlusconi, que disse que para ele “Avelino [no sul de Itália] é tão desconhecido como a Patagónia”), fugiu de Itália com 3 milhões de euros obtidos numa fraude financeira, e no Brasil fundou um obscuro clube de futebol chamado Leme. É daí que chega a Aveiro, trazendo com ele o filho adotivo, o brasileiro Willyan Barbosa (atual atleta do Vitória de Setúbal, formado no Leme, transferido para o Torino e depois emprestado ao Beira-Mar, que o acabou por comprar com uma cláusula de rescisão de 2 milhões de euros), e um carregamento de italianos: os jogadores Andrea Cocco, Manuel Daffara e Claudio Zappa, e ainda o treinador Daniele Fortunato, antigo futebolista da Juventus e da Atalanta. Parecia tudo bem, mas desconheciam-se dois pormenores: primeiro, que Scafuro não pagaria um tostão pelos 84,9% da SAD que tinha adquirido, que forjaria cheques e o patrocínio da Pieralisi, uma empresa industrial italiana; segundo, que as suas contratações transalpinas tinham em comum a passagem pelo Albinoleffe, o clube mais envolvido no “Scommessopoli”, o escândalo de fraude e viciação de resultados do futebol italiano, em 2011, que apurou que o emblema de Bérgamo estava totalmente nas mãos dos sindicatos asiáticos de apostas ilegais e da máfia italiana. Nessa equipa, jogou ainda o romeno Cristian Muscalu, ex-companheiro de equipa de Kargbo nos azeris do FC Baku, também suspeito de manipulação.

Scafuro deixou de pagar aos jogadores e aos restantes funcionários. Em março de 2015, demitiu-se da SAD, deixando em insolvência o Beira-Mar, uma instituição com mais de 90 anos com um estádio novo feito à medida do Euro-2004. Os aveirenses não conseguiram reunir os requisitos financeiros para se inscreverem nas ligas profissionais e caíram para os distritais. O italiano desapareceu — procurado em Portugal por fuga ao IVA e emissão de cheques em branco, foi localizado numa operação de trânsito na Roménia, onde disse estar a viver em Milão. Uma grande mentira. Assim que saiu de Aveiro, Scafuro assumiu a liderança da SAD do FC Academica Clinceni, da Roménia. Os investidores? A Anping, de Eric Mao. E mais uma época com enorme potencial para a viciação de resultados. Meses depois, o italiano voltou a desaparecer, deixando as roupas no estádio da equipa. O seu paradeiro é desconhecido.
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Ricardo Cravo, à esquerda
 no banco do Athlone, 
transitou do Atlético 
para 
o clube britânico, 
levando vários jogadores
De amarelo e negro no Beira-Mar de Scafuro jogava o defesa central brasileiro Diego Tavares, que como os seus colegas, ficou com cinco meses de salários em atraso. No verão de 2015, transferiu-se para o Oriental, clube alfacinha, onde passou a ser um dos atletas mais bem pagos, com um salário de cerca de 1500 euros mensais. Mas Tavares não podia ter acabado a temporada em Marvila da pior forma: foi detido após a última jornada do campeonato por suspeitas de envolvimento no caso “Jogo Duplo”, que vai levar 28 agentes desportivos a tribunal como arguidos no maior escândalo nacional relacionado com viciação de resultados ligados a apostas. De acordo com o inquérito, o brasileiro desempenhou um papel central: foi ele que, entre outras incidências, aceitou os 30 mil euros propostos pela célula malaia a operar em Portugal — composta por Chun Keng Hong, Yap Thong Leong e Lim Gin Seng — para aldrabar o resultado do Penafiel-Oriental, disputado a 30 de abril de 2016. As autoridades acreditam que tudo estava feito para que o Oriental sofresse pelo menos dois golos na primeira parte (over 1.5) e mais de três golos no total do jogo (over 2.5), num ‘esquema’ intermediado por Carlos “Aranha” Silva, elemento da claque Super Dragões, e Gustavo Oliveira, ex-jogador de equipas amadoras do distrito de Aveiro. Tavares terá conseguido angariar três colegas de equipa: o guarda-redes Rafael Veloso e os defesas João Carvalho e André Almeida, com a promessa de 7500 euros para cada um. “Nós nunca suspeitámos de nada. Se isto se confirmar, é como ser traído pela própria mulher”, diz José Nabais, o presidente do Oriental, que abandonou recentemente a direção sem qualquer dívida e que viu a sua boa gestão reconhecida pela UEFA em 2014, aquando da realização da final da Liga dos Campeões em Lisboa, com a atribuição de um campo relvado ao clube. “Recordo-me de ver o Diego Tavares a rir-se ao telefone no final da partida, mas, no momento, estava longe de pensar que pudesse estar relacionado com isso.”
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Wilson Raj Perumal, 
um conhecido viciador 
de jogos de Singapura, 
foi sócio de Eric Mao
O acordo terá sido selado numa chamada por videoconferência com Yap Thong Leong, que lhes terá prometido ainda um bónus de 5 mil euros por cada penálti assinalado. O trabalho foi realizado lentamente desde o apito inicial: nos dois primeiros golos, diz a investigação, Diego Tavares e André Almeida não ofereceram oposição aos adversários, e, no terceiro, Rafael Veloso dá um enorme ‘frango’, evidente nas imagens televisivas. “Por estar convencido de que Tavares teria recebido dinheiro para perder o jogo, o treinador do Oriental, Jorge Andrade, substituiu-o aos 58 minutos”, lê-se na acusação do DIAP. Sem problema, uma vez que os intervenientes julgavam que com o 3-2 os seus clientes estavam satisfeitos. Faltava, no entanto, um golo. Foi então que “Aranha” telefonou a Diego Tavares, que atendeu no balneário e lhe disse que já não podia fazer nada. O intermediário, em desespero, desceu a bancada para transmitir por gestos ao defesa esquerdo João Carvalho que três não chegavam. Era preciso sofrer o quarto golo. O lateral fica então especado à espera de um fora de jogo, enquanto Aldair Baldé, avançado do Penafiel, corre sozinho para a baliza para estabelecer o resultado final, já em período de descontos. “Aranha” e Gustavo Oliveira saíram do estádio aos saltos, a gritar golo. O resultado tinha valido centenas de milhares de euros aos seus patrões. De acordo com a acusação, verificou-se uma variação anormal das odds antes da partida, com incidência na derrota do Oriental por mais de três golos, tendo o live betting o mesmo padrão.

Nabais não sabe nada de apostas. Só sabe que teve de ouvir os sócios do seu clube gritarem “traidores” e “impostores” aos jogadores. Numa assembleia-geral, um referiu-lhe que neste caso imperava a presunção de culpa até se provar o contrário: todos envolvidos, ninguém é inocente. O presidente avançou com um pedido de indemnização de um milhão de euros a todos os que mancharam o nome do clube e, apesar da incredulidade de ter dois velhos jogadores da casa na lista de arguidos, só pede que se faça justiça: “Isto promove um clima de desconfiança insuportável. Hoje, quando um jogador falha um penálti, há quem questione se fez de propósito ou não. Tudo porque a sociedade apela ao facilitismo, publicita o jogo, o dinheiro fácil. Mesmo quem pode ganhar 500 a fazer o que gosta prefere fazer o que não gosta para ganhar 2000.”

Rui Dolores, de 39 anos, ex-jogador que representou, entre outros, o Boavista, o Paços de Ferreira e o Vitória de Setúbal, é outro dos arguidos do “Jogo Duplo”, suspeito de servir como intermediário nos negócios ilegais da célula malaia. No início da temporada 2014/2015, era treinador adjunto do Freamunde. Este podia ser o preâmbulo da investigação levada a cabo pela Federbet, a que o Expresso teve acesso, a uma das incidências mais escabrosas registadas nos últimos anos no universo mundial das apostas: o “jogo-fantasma” entre o Freamunde e a equipa espanhola do Ponferradina, virtualmente realizado na manhã de 4 de agosto de 2014. A partida foi anunciada no site do Freamunde, mas nunca podia ter acontecido, uma vez que os espanhóis não sabiam de nada e o clube nortenho havia jogado no dia anterior em Portimão, para a Taça da Liga. “Os jogos-fantasma são uma das formas de viciação utilizadas por grupos de crime organizado para ganhar ou lavar dinheiro”, diz um experiente corretor de apostas de uma casa com sede em Londres que preferiu o anonimato. “Podem ter ou não o envolvimento de um dos clubes em questão.” Inicialmente, suspeitou-se que um servidor ilegal tivesse introduzido o jogo no sistema, enganando as casas de apostas que disponibilizam as partidas aos seus utilizadores.

Contudo, a equipa da Federbet, que se deslocou a Portugal para investigar, chegou a uma tese diferente. “À mesma hora da partida, no campo marcado em São João de Ver, perto de Freamunde, jogaram duas equipas juvenis, com camisolas da Juventus, do Barcelona e do Real Madrid, e o resultado da partida foi o mesmo do do jogo-fantasma: 1-2”, diz Francesco Baranca.

Surpreendidos pela coincidência, os especialistas quiseram saber mais: apuraram então que os jovens pertenciam a uma escola de futebol orientada pelo ex-adjunto do Freamunde Rui Dolores e que o responsável pelo campo tinha recebido 500 euros pelo aluguer. Confrontaram-no, mas ele não quis revelar mais nada. “Foi então que vimos um indivíduo a limpar o terreno e a olhar para nós. Parecia que queria dizer qualquer coisa. Discretamente, abordámo-lo, e ele disse-nos que contava tudo se lhe pagássemos umas cervejas”, diz Baranca. O funcionário do estádio relatou que lhe tinham entregue 20 euros para abrir a porta e que, na bancada, estava apenas um espectador, todo o tempo agarrado a um tablet.

“Disse que estava a enviar informação sobre o jogo para a internet.” As campainhas de alarme soaram na cabeça da equipa da Federbet — para haver apostas em tempo real, as casas de jogo têm de enviar para o terreno um elemento para recolher informação sobre estatísticas e ocorrências da partida. Era tudo muito estranho. Assim, decidiram deslocar-se à sede do SC Freamunde para obter mais dados. O presidente do clube, Manuel Pacheco, não lhes levantou suspeitas, mas o mesmo não aconteceu com o diretor desportivo, Hilário Leal: “A primeira coisa que disse quando entrou na sala de reuniões foi: ‘Eu nunca apostei na vida.’ Mas, pouco depois, contou que era amigo dos Gaucci [clã italiano cujo patriarca é Lucciano Gaucci, o controverso ex-dono do Peruggia que contratou o filho de Kadhafi]”, afirma Baranca. Posteriormente, os oficiais da agência dizem ter recolhido indícios de que Hilário, tal como Dolores, era um apostador habitual. O dirigente do Freamunde defende-se: diz que não sabe nada sobre o jogo-fantasma, que nunca fez uma aposta e que os Gaucci são tão seus amigos como tantos outros italianos que conheceu durante a permanência em Peruggia. “Eu já fui ouvido duas vezes pela PJ e disse-lhes que fui sempre contra a manipulação de jogos no Freamunde, ao ponto de na altura ter recebido cartas com ameaças.” A ligação italiana não fica por aqui: o grosso de apostas no jogo que nunca existiu veio de uma faixa de terra entre Nápoles e Reggio Calabria, onde operam organizações mafiosas como a Camorra e a ’Ndrangheta. As apostas desportivas são muito usadas pelas máfias para lavagem de dinheiro — mesmo quando não conseguem obter ganhos com jogos viciados, o sistema permite-lhes diminuir as perdas abaixo dos 20%, um valor bastante apetecível nesta atividade.
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Almeida Antunes, ao telefone, era presidente do Atlético 
quando a Anping, 
de Hong Kong, comprou 70% da SAD
O advogado Miguel Azevedo Brandão, atual presidente da SAD do Freamunde, diz que ainda se desconhece o que se passou em São João de Ver. “Ainda não estava no clube e, por isso, não estou a par do que aconteceu. Mas acho que a anterior direção foi chamada pela PJ para prestar depoimentos.” Azevedo Brandão tem razão: na altura em que aconteceu o incidente tinha acabado de mediar o acordo fraudulento entre Scafuro e o antigo dono do Beira-Mar, o iraniano Majid Pishyar, que chegou a acusar o português de conluio com o italiano (Scafuro utilizou a empresa Equação Troféu, com sede no endereço legal de Azevedo Brandão, para “encapotar a burla”, nas palavras de Pishyar). O advogado nega e diz-se igualmente enganado: “Era era bem falante, inteligente e vinha com uma multinacional italiana por trás. Não desconfiei. Depois, não pagou, eu não me revia naquilo e percebi que era um buraco sem fundo.

Decidi sair.” Pouco tempo depois, o advogado voltou a trabalhar com investidores estrangeiros na compra de um clube português: desta feita, uma empresa argentina interessada no Freamunde. Concluído o acordo, foi convidado a assumir a gestão da SAD. “Como os dois argentinos não estavam cá a tempo inteiro e não conheciam o mercado português, optaram por me convidar para ficar e tentar fazer uma coisa em condições.” Porém, não lograram os seus objetivos: vender os jogadores argentinos colocados a rodar no clube. Entretanto, o Freamunde desceu ao terceiro escalão e os investidores querem desfazer-se do negócio. Ao contrário do que se passa em outros clubes, tudo indica que o Freamunde vai conseguir reaver o controlo da SAD. “Os clubes portugueses são apetecíveis, porque estão mais ou menos bem preparados e são baratos. O investimento estrangeiro é bem-vindo mas tem de ser regulado, tem de haver cuidado por parte das instâncias, saber de onde vem o dinheiro, as apostas e ilegalidades que possam surgir”, diz Azevedo Brandão, que liderou pessoalmente dois negócios ruinosos.

Os tentáculos deste gigantesco polvo das apostas chega a todo o lado e não dá sinais de fraqueza. O relatório de 2016/2017 da Federbet, que vai ser divulgado somente em setembro, sinaliza cerca de 500 jogos no mundo, cinco dos quais em Portugal: dois na Primeira Liga, o Feirense-Rio Ave (2-1) e o Paços de Ferreira-Feirense (0-1), e três na segunda, cujos detalhes não foram divulgados. A imprensa veiculou várias teorias sobre a suspensão de apostas nas duas partidas da Liga NOS: desde a jogada de 100 mil euros de um chinês na Póvoa de Varzim até ao registo de 50 mil euros no mesmo NIF em Santa Maria da Feira, passando por uma decisão unilateral da Santa Casa da Misericórdia, tutelar do Placard, apenas pelo alto risco financeiro.

A Liga encarregou-se de descobrir o que se passou, mas o facto de a mesma equipa, o Feirense, estar envolvida nos dois incidentes levantou fumo para os lados de Santa Maria da Feira. Num comunicado oficial após a vitória contra o Paços de Ferreira, a SAD declarou: “Toda esta situação, além de voltar a colocar em causa o bom nome do futebol português, lançou dúvidas e suspeição de forma irresponsável sobre duas instituições de prestígio no panorama desportivo nacional [...]. Em comum nas duas situações apenas dois aspetos — o envolvimento do nome do CD Feirense Futebol SAD e a insistência em apostas na vitória do clube de Santa Maria da Feira. O segundo aspeto, por si só, seria suficiente para confirmar o total alheamento dos elementos afetos a esta sociedade desportiva de toda e qualquer eventual polémica.” Baranca diz que não é bem assim: “Não querendo acusar ninguém, há inúmeros casos de equipas que compram outras e depois informam as redes de apostadores. É preciso investigar para afastar a suspeição.” O principal investidor do Feirense, o nigeriano Kunle Soname, é um entendido no assunto: fundou a Bet9ja, o equivalente nigeriano do Placard, que é um tremendo sucesso no país africano. Jorge Gonçalves, presidente do Conselho de Administração, diz que o tema não preocupa o clube: “Estamos de consciência tranquila, nem sequer temos um advogado a tratar disso. A Liga tomou conta das ocorrências e está a investigar.”

Não é nas divisões principais que o fenómeno é mais preocupante, mas sim nas secundárias, profundamente vulneráveis. Progressivamente, o espectro das apostas chega até às camadas jovens: é possível realizar apostas em partidas de sub-15. No futuro, talvez chegue às escolinhas e até aos videojogos, uma vez que já há companhias de apostas a posicionarem-se em Malta para se dedicarem às apostas em torneios da FIFA. Preso no meio desta teia, Ricardo Delgado pensa em refundar o Atlético. Em último caso, um novo nome, uma nova vida. “Há duas semanas, fui almoçar com o ‘Bruce’ e perguntei-lhe quanto queria pelos 70%, para nos vermos livres dele. ‘Um milhão’, respondeu. Afundou o clube, desceu-o duas divisões, manchou-lhe o nome e pede quase dez vezes mais do que o preço de compra.” Mesmo que o Atlético nasça outra vez, não fica a salvo de novos esquemas de manipulação. Ninguém está. Wilson Raj Perumal, o cabecilha da máfia das apostas, já disse mesmo que “o futebol arrisca-se a tornar-se uma espécie de wrestling, com tudo encenado”. Talvez seja um exagero, mas mais vale prevenir, porque esta realidade não vai parar de um dia para o outro. Muitos mais jogos serão viciados. Vai uma aposta?

* Muito obrigado a Tiago Carrasco pelo excelente trabalho de investigação.

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VIOLÊNCIA DE GÉNERO




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HOJE NO
"DINHEIRO VIVO"

Associação “Frente Cívica” 
pede investigação à PGR

Associação liderada pelo ex-candidato presidencial Paulo Morais defende que as PPP rodoviárias têm de ser extintas.

A associação Frente Cívica vai entregar esta segunda-feira na Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação exaustiva ao processo das Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias. 
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Num comunicado divulgado este domingo, a associação liderada pelo ex-candidato presidencial Paulo Morais, sustenta que “as PPP rodoviárias constituem atualmente um dos maiores problemas do país, uma vez que o pagamento das rendas destas estruturas tem vindo a depauperar as contas públicas e a contribuir para o enriquecimento indevido de alguns grupos privados”.

A título de exemplo, a Frente Cívica revela que “só na A28, que liga o Porto a Viana do Castelo, em 2017, o concessionário receberá mais de 50 milhões de euros, independentemente de lá passarem zero, cem ou mil viaturas, e que este cenário repete-se em 22 PPP rodoviárias”. 
Além de outros exemplos, e para além das rendas, a Frente Cívica diz ainda que “tem havido pagamentos de largos milhares de milhões de euros sob a forma de compensações diversas, justificadas até com alterações de contexto simuladas e mesmo inexistentes”. “É por não haver dúvidas sobre as medidas a tomar que a Frente Cívica defende que as PPP rodoviárias têm de ser extintas e que só assim se porá cobro a mais duas décadas (vindouras) de negócios perdulários para o contribuinte português”, refere o comunicado da associação. 
Segundo contas da associação, “o valor atualizado dos ativos associados às PPP é de 6.100 milhões de euros e o Estado português prevê pagar aos concessionários ao longo dos próximos 20 anos mais de 19.000 milhões por este património, valor manifestamente exagerado face ao capital considerado”. Para a ‘Frente Cívica’, a “adequação do montante dos encargos públicos inerentes às PPP ao valor justo do património subjacente implicaria, face ao previsto, a redução substancial dos montantes e dos prazos de amortização”. 
A associação considera ainda que “amortizando em 20 anos, com prestações que rondam os 30% (ou menos) dos valores previstos para 2017, é possível amortizar a dívida com uma redução de custos que varia entre os 60% e os 48% dos custos previstos em Orçamento de Estado”.

* As PPP's continuam a ser um cancro, há políticos envolvidos nesta "doença", não há coragem para a combater.

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Gelo transformado em pedra 
Diminuição dos glaciares nos Alpes italianos



FONTE: EURONEWS

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ESTE MÊS NO  
"MOTOR 24"
Estudo elege a marca mais fiável

A conceituada empresa de estudos de mercado J. D. Power divulgou os resultados do seu mais recente inquérito anual sobre satisfação dos utilizadores com os seus automóveis, realizado na Alemanha, o maior mercado europeu. Designado VDS (Vehicle Dependability Study; Estudo de Confiança em Veículos), os proprietários foram questionados sobre a qualidade e fiabilidade dos seus automóveis ao final do terceiro ano de utilização.

Dentro do lote de marcas, a KIA foi quem se destacou como aquela com maior índice de fiabilidade, sendo que a terceira geração Sportage apresenta-se como o SUV compacto com menos problemas dos modelos avaliados pelo segundo ano consecutivo.

No total, foram avaliados 71 modelos de 24 fabricantes. Destas, a KIA foi a única a conseguir um “score” abaixo de 100 pontos, que compara com a média geral de 151.

“Mais do que uma vitória, satisfaz-nos o facto de nos mantermos em primeiro de forma consistente, ano após ano, o que é um excelente indicador da qualidade continuada dos nossos produtos”, considera João Seabra, director-geral da Kia Portugal.

Na sua análise aos resultados, o mesmo responsável sublinha que “esta é uma prova adicional da qualidade e do rigor que colocamos em cada um dos nossos produtos, que atestamos todos os dias ao sermos o único fabricante mundial a oferecer uma garantia de fábrica de 7 anos”.

Logo atrás da KIA surgem Hyundai e Toyota, a fechar o pódio. Apesar do oitavo lugar da geral, a Opel distinguiu-se em dois dos segmentos mais importantes com os modelos ADAM e Insignia, que ocupam as posições de topo dentro dos utilitários e familiares. Hyundai i30, Mercedes Classe E e Toyota Yaris foram igualmente premiados nos seus segmentos.

* Confira a fiabilidade e veja o pódio todo ocupado por carros asiáticos.

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Choco com Molho de Tomate


De: Saborintenso
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ESTA SEMANA NA 
"SÁBADO"

Precariedade chega à medicina 
com ofertas de 800 euros

Uma clínica de Braga oferece 800 euros mensais a um médico. O bastonário da Ordem dos Médicos considera ser "um valor inaceitável"

Um anúncio de emprego que circula há três semanas no portal de emprego Linkedin, colocado por uma clínica de Braga, oferece 800 euros a um médico. "Admite-se Médico /a especialista em Medicina Geral e Familiar. Em horário: das 10h às 16h30 com uma folga semanal rotativa. Condições iniciais: 800 euros mensais", lê-se.
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"É um valor inaceitável", disse Miguel Guimarães, o bastonário da Ordem dos Médicos, ao Diário de Notícias. Contudo, os jovens médicos não fazem estas denúncias aos sindicatos.

"Os médicos em Portugal têm um nível de remuneração que não corresponde à responsabilidade que têm, isso é facilmente avaliável pelo que já existe em jurisprudência, sobre as indemnizações que os médicos têm que pagar por erros cometidos ou por complicações. O volume a pagar é completamente desproporcional àquilo que são as remunerações habituais dos médicos a nível do serviço público. Temos dos valores mais baixos da Europa. Só nos países de leste é que há remunerações abaixo", explicou Miguel Guimarães.

A remuneração na área da medicina, que varia consoante o grau na carreira, chegando a atingir os 60 euros por hora, é um dos factores que leva os médicos a afastarem-se do Serviço Nacional de Saúde (SNS). "Com os cortes nos últimos anos, também há médicos que chegam a ganhar valores na casa dos cinco/ seis euros por hora, o que é inaceitável para a responsabilidade que têm no exercício da sua profissão", explica o bastonário. 

Um elevado número de médicos opta por não continuar no SNS, preferindo o privado onde as condições de trabalho se mostram mais justas. "Outros optam pela emigração", garante Miguel Guimarães.

Na opinião do bastonário, melhorar as condições de trabalho é a única solução para inverter esta situação. "O primeiro tem a ver com respeito do poder político - desde as estruturas do Governo às de direcção hospitalar, ARS. Porque as condições são más. Por exemplo, no acesso à formação, muitos vão fazê-la quando têm o apoio da indústria farmacêutica, quando não têm são eles a pagar. Depois fazem cada vez mais horas extraordinárias para tapar buracos no Serviço Nacional de Saúde. É evidente que um médico nessa perspectiva olha para fora e sai. E infelizmente para o nosso SNS, uma parte significativa dos médicos está a sair", explicou ao referido jornal.

Para tentar que os médicos não abandonem o País, Miguel Guimarães acredita que os dias de férias são um bom começo. "Em França fizeram isso muito bem, deram mais 10 dias de férias aos médicos. Chegam aos 45 dias, enquanto cá têm 22 ou 23".

"O Estado dá vários dias por ano para formação, mas não a patrocina. E a formação médica é muito cara. Num congresso nacional ou internacional, em que estão as pessoas com mais conhecimento, as inscrições infelizmente são muito elevadas. Um congresso chega a custar 1500 euros, só a inscrição. Conheço médicos que enviaram trabalhos, foram aceites por congressos internacionais e acabaram por não ir apresentar porque não tinham apoio", afirmou.

* Uma proposta vergonhosa.

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